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quinta-feira, 24 de junho de 2010

4º dia: Buenos Aires x Ushuaia

Hoje foi o dia de voarmos para Ushuaia. O horário do transfer para o Aeroparque era 14:00 h, no hotel. Tomamos nosso desayno, acabamos de arrumar nossas malas e descemos com elas, de maneira a deixá-las no depósito do hotel, que o recepcionista Fernando havia nos informado que estaria à disposição, até a hora de irmos para o aeroporto. Não estava muito frio, mais ou menos 14 graus. Resolvemos que íamos até o bairro de Palermo, usando o metrô (subte, como eles falam aqui). Fomos até a estação mais próxima, a de Lavalle, onde embarcamos. O ticket custa AR$1,10 por pessoa, para uma viagem. Depois de algumas baldeações, tomamos a linha verde até a estação Ministro Carranza, onde descemos. Dali chegamos até a Avenida Santa Fé, mais ou menos a uns 4 km do centro da cidade e do nosso hotel. Esta avenida possui um comércio muito ativo em toda sua extensão. Nela fica o Alto Palermo Shopping, um dos maiores e mais diversificados de Buenos Aires e onde a moda porteña está bem representada nas mãos de John L. Cook, Ona Saez, Kosyuko, Ayres, Akiabara, Prototype, entre outros. Como tínhamos tempo, seguimos andando avenida abaixo tranquilamente, observando a arquitetura local, os hermanos provavelmente se dirigindo aos seus locais de trabalho e o trânsito de veículos, também muito intenso. Cabe um destaque para os ônibus (buses), que, em sua grande maioria, são bem coloridos, não muito novos e "voam baixo", literalmente. De longe sabemos que um deles está chegando próximo a nós, porque possuem um sistema de freios a ar comprimido que fica "espirrando" constantemente, como se estivesse gripado... No caminho entramos numa casa de câmbio, onde troquei cem reais por pesos, recebendo AR$1,90 por R$1,00. Também neste trajeto consegui comprar uma garrafinha de Brandy, daquelas de bolso, de maneira a prevenirmo-nos quanto a uma ocasional onda de frio para encarar lá na Patagônia. Chegando ao centro fomos até a casa de câmbio ALHEC, na avenida Paraguay, onde Mary trocou alguns reais, só que estavam pagando AR$2,06 por R$1,00! Estava quase na hora do transfer chegar e a fome estava dando o ar da sua graça. Paramos, então, no Citybar, pertinho do hotel, e descobrimos que é um restaurantezinho onde os locais, aqueles que trabalham ali por perto em escritórios e lojas, fazem uma refeição ligeira, como, por exemplo, que vimos sendo servidos nas mesas, milanesas, parmentiers, etc. Pedimos duas empanadas de carne e duas de presunto e queijo e as saboreamos juntamente com uma cerveja Quilmes Cristal. Ótima pedida! E a conta: AR$25, com a gorjeta. O transfer foi britânico: às 13:55 estava no hotel para nos apanhar e já o aguardávamos no saguão. Foi só colocar as malas na van e seguir para o aeroporto. No caminho paramos em outros dois hotéis e um casal em cada um deles embarcou também. O segundo casal (olha só que luxo!) estava com uma menininha de uns 4 ou 5 anos de idade e sua babá! Assim é bem mais fácil viajar com crianças... Durante o percurso os casais foram conversando e contando seus passeios ao Tigre e aos shoppings bem como, obviamente, sobre suas compras. Apesar do trânsito meio caótico no centro da cidade, desembarcamos no Aeroparque menos de meia hora depois, pegamos nossas malas e fomos direto ao check-in da Austral, que é uma subsidiária das Aerolíneas Argentinas. Rapidamente nos desvencilhamos das bagagens, pegamos nossos boarding passes e nos dirigimos à sala de embarque. Passamos pelo aparelho de raio-X e, sem problemas, aguardamos chamarem nosso vôo. No horário previsto subimos a bordo e, precisamente às 16:05 LT, decolamos rumo a Ushuaia. A viagem durou 3 horas. Durante o vôo nos serviram um sanduiche frio de presunto e queijo que deixou a desejar... Mary tomou refrigerante e eu uma cerveja Isenbeck e um café. Às 19:15, quando aterrissamos, já estava escuro. É que, nesta época do ano, ou seja no inverno, os dias clareiam tarde e escurecem cedo. O aeroporto da cidade é novinho, construido com suas estruturas em madeira, bem funcional. O Juan Carlos, motorista da van que nos levaria até o hotel, estava nos aguardando. Falando um portunhol perfeito, fomos conversando até chegarmos ao centro, em dez minutos de viagem. Pedimos a ele umas recomendações de onde poderíamos jantar um bom pescado e ele nos forneceu algumas. Ele nos deixou no Hotel Fueguino (de Tierra del Fuego, entenderam?), que fica no início da segunda rua paralela à avenida que margeia o porto e a cidade, quer dizer, quase dentro do "burburinho"! Descíamos um quarteirão e estávamos na Avenida San Martin, onde estão localizadas as lojas, cafés, restaurantes e alguns hotéis: é a rua principal da cidade! O hotel não é muito grande, como tudo aqui em Ushuaia. É novo, o pessoal de atendimento é muito atencioso, tem sauna, sala de massagens e uma pequena academia de ginástica, isto tudo incluido no preço que pagamos. Nos acomodamos, deixamos as malas no quarto e saimos andando pela cidade, para o primeiro "reconhecimento" do terreno. A temperatura era de 7 graus mas não ventava: estava confortável, desde que agasalhados. Achamos um locutório e telefonamos para nossos filhos no Brasil. Seguindo uma das indicações do Juan Carlos, fomos jantar no restaurante "Tia Elvira", que fica na Avenida Maipú, que é a avenida "beira-porto", podemos assim dizer. Sentamo-nos perto da janela, onde pudemos apreciar o movimento de carros. O de pessoas, pelo menos nesta rua, era mínimo... Troxeram-nos uns pãesinhos e manteiga, os quais "devoramos". Mary foi de "Merluza ao gorgonzola", que era um filé gratinado com este queijo e champignons e estava uma delícia. Eu pedi uma "Merluza à Napolitana", também um filé gratinado com queijo e molho de tomates, muito saborosa. Acompanhamos tudo com uma garrafa do vinho branco "Vognier Finca la Linda", o qual harmonizou perfeitamente com os pratos. Finalizei com um espresso. A conta: AR$184, incluindo a propina. O final da noite não podia ser diferente: hotel e cama. No caminho entramos num kiosco e compramos água mineral (é sempre bom levar uma garrafa para o hotel, já que neles o preço é de "tirar o couro"...). Fazia mais frio porém o quarto do hotel era aquecido, até demais. O piso do banheiro também, o que era uma boa! De tão aquecido que estava o quarto, desliguei o aquecedor e abri um pouco a janela para amenizar a temperatura, pois estava ficando desconfortável. Melhorou... Fomos dormir, pois no dia seguinte, às 9 horas, vamos a uma excursão no Parque del Fin del Mundo. Boa noite!
Dicas gastronômicas:
- City Bar, Av. Reconquista, 650, Buenos Aires (almoços rápidos, empanadas, milanesas)
- Restaurante Tia Elvira, Av. Maipú, 349, Ushuaia (pescados, centollas, frutos do mar)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

3º dia: congelando em Buenos Aires ...

É verdade que não estava nevando mas, quando acordamos e ligamos a TV, o noticiário informava: "El frio polar llego!!" quer dizer, o frio do pólo sul chegou!! A temperatura, continuava o repórter, estava 6 graus, porém com a sensação térmica de 4, devido ao ventinho que soprava! E que a mínima chegaria a 2 graus!!! Entretanto, como dizia minha bisavó, quem está na chuva é para se molhar... Então, fomos à luta: tomamos nosso café da manhã, nos agasalhamos bem e saímos. O plano era ir até o Unicenter, um shopping que fica distante do centro de BsAs a uma hora, de ônibus, e que é muito frequentado pelos locais, ou seja, poucos turistas. Já havíamos estado lá em outras oportunidades e, realmente, a quantidade de lojas, de produtos e seus preços agradáveis são um convite para visitá-lo. Existia um ônibus que fazia este translado, gratuitamente, mas não existe mais. Pensamos bastante e resolvemos que não iríamos mais lá, que iríamos passear ali pelo centro mesmo e, quem sabe, descobrir algo diferente do turismo tradicional que os brasileiros praticam aqui. Aliás, diga-se de passagem e, reiterando o que escrevi no dia de ontem, nossos compatriotas invadiram a cidade "com força". São grupos inconfundíveis de pessoas, compostos de senhores vestidos com seus paletós de couro e as senhoras com suas botas de cano longo, casacões e echarpes coloridas, além de muita maquiagem e sacolas de compras penduradas. E felizes, com seus sorrisos estampados no rosto e suas conversas sobre as taxas de conversão de dólares e/ou reais para pesos argentinos. Caminhamos bastante pelas ruas da redondeza onde estávamos hospedados: calle Florida, Corrientes, Lavalle... Todas tem muito comércio, para atender tanto aos muchachos como a nós, brasileiros, com muito ou pouco dinheiro no bolso e, principalmente, no que diz respeito a produtos de couro, souvenirs e roupas esportivas com motivos argentinos, nas cores azul claro e branca. Qualquer um pode se vestir, do boné ao calçado, passando pelas roupas íntimas e agasalhos, ostentando a representação da nação porteña. Lá pela uma da tarde e depois de alguns quilômetros de caminhada, fizemos nosso primeiro pit stop: paramos numa cafeteria e, já que o frio persistia e a fome dava sinais de vida, Mary e eu dividimos uma fatia de uma torta de legumes, ela pediu um chocolate quente e eu um espresso duplo. Aí, devidamente reabastecidos com o combustível necessário e suficiente para mais andanças, seguimos nossa meta, que era perambular mesmo. Na calle Lavalle nos deparamos com mais uma apresentação de tango, em torno da qual muitas pessoas param e admiram a música, os passos e rodopios da dança um tanto quanto "erótica" que as dançarinas e os dançarinos, vestidas com roupas bem características, exibem em plena calçada e arrecadam algum dinheiro dos transeuntes e fãs do gênero. Continuamos nossa caminhada e fomos até o fim da rua do nosso hotel, a Reconquista, na direção da Plaza San Martin. Em seu último trecho estão situados vários pubs, aqueles bares no estilo irlandês especializados em cerveja, mas que não fizemos uso já que, estando na Argentina, preferimos saborear um bom vinho! Num destes pubs, o "Porto Pirata", a fachada era a proa de uma embarcação viking, a decoração era típica e externamente vários bonecos, em tamanho real, retratavam os marinheiros daquela época, com suas vestimentas e seus rostos mau encarados. Resolvemos, dali, retornar ao hotel mas não sem antes, mais uma vez, sentarmo-nos em um café para recompor as energias e aquecer o corpo. Ao lado do hotel, coincidentemente, havia um e para lá nos dirigimos. Encarei outro espresso e outra dose do conhaque Reserva San Juan e Mary só aceitou uma água sem gás. Em seguida subimos para nosso quarto para descansar um pouco (vimos até um filme na TV, com as legendas em espanhol...). 7 da noite saímos para jantar. Escolhemos o "Arturito", que fica quase na esquina da Avenida 9 de julho com a Corrientes. Segundo as informações é um dos últimos representantes daqueles restaurantes tradicionais, históricos e onde, segundo uma resenha que encontrei na internet, "nada mudou nos últimos 30 anos...". Realmente pouquíssimas mudanças devem ter ocorrido, haja vista a fachada, a decoração interior, o balcão e o garçon. Como estava cedo, éramos os únicos lá dentro, além do caixa e do cozinheiro. Penso que, por este motivo, o garçon que nos atendeu (aliás o único por lá!), não estava com boa vontade, ou melhor, com nenhuma vontade de ser atencioso e gentil, como os que nos haviam atendido em todos os demais restaurantes até então. Trouxe-nos o cardápio e escolhemos: um "Nhoque a la napolitana" para Mary e um "Asado de Tira com papas espanholas" para mim. Este corte de carne é "tirado" (sem trocadilho...) da costela do boi como se fosse um bife grosso, cortado perpendicularmente aos ossos, bastante suculento e assado na grelha de carvão. As batatas eram fatias grossas, fritas. Ambos estavam saborosos. Acompanhamos a comida com um Colón Malbec, com uma ótima relação custo x benefício, e água mineral sem gás. Quem nos trouxe os pratos foi outro garçon, muito mais disposto que o primeiro, que puxou conversa conosco, o que nos levou a crer que nossa desconfiança estava correta: tínhamos chegado próximo à hora da troca de turno, por isso o mau humor (não seria o primeiro que ia receber a propina!). Para finalizar, cafés espressos e a conta: AR$125 + 15 da gorjeta. Na volta para o hotel, caminhando, paramos num kiosco e falamos, por telefone, com nossos filhos. Chegamos ao Reconquista Plaza Hotel, subimos, deitamos e dormimos.
Dica gastronômica: Arturito, Av. Corrientes 1124

quarta-feira, 16 de junho de 2010

2º dia: Mi Buenos Aires querido!

Acordei às 4 e 25 da manhã com meu relógio de pulso tocando o alarme, já que esqueci de desligá-lo. Putz! Dormi de novo e, lá pelas 6 e meia, já estava definitivamente acordado. Era domingo, dia da Feira de Antiguidades de San Telmo, paraiso dos turistas... Descemos, tomamos nosso "desayuno" e saimos com o objetivo de passar a manhã perambulando por lá. Resolvemos que antes íamos conhecer o "Parque das Mujeres Argentinas", uma imensa área verde reserva biológica que está do outro lado do Puerto Madero, indo em direção ao Rio de La Plata. Atravessamos as dársena utilizando a "Puente de las Mujeres", uma verdadeira obra de arte da arquitetura porteña. Entre Puerto Madero e o Parque foi criado um bairro novo, cheio de grandes e elegantes empreendimentos imobiliários, sendo tanto moradias como escritórios e hotéis. Alguns bons restaurantes também já se instalaram nesta área, extremamente valorizada. Saimos do hotel, descemos a Avenida Paraguay e em meia hora alcançamos o calçadão que limita o Parque. Ainda era cedo e o movimento pequeno mas, pelo que pudemos depreender e pela quantidade de kioscos (umas barraquinhas que vendem choripan - parecido com nosso "pão com linguiça" além de outras preparações gastronômicas tradicionais, bem como cerveja e refrigerantes (gaseosas, em linguagem local) que existem por ali, a área deve "bombar" com gente aproveitando uma ensolarada manhã dominical para curtir um pouco da natureza. A temperatura estava baixa, em torno dos 12 graus, mas não desconfortável, desde que agasalhados. Dali seguimos caminhando até o bairro San Telmo, onde, tanto na Praça Dorrego como nas ruas adjacentes, estavam montadas as barraquinhas que vendem milhares de peças antigas, desde relógios, talheres e miniaturas de soldados de chumbo até panelas e móveis, além de artesanatos e bugingangas "made in China" também.... Chegando na "muvuca" que era a Feira fomos direto a um café antigo, inclusive a mobília, as louças e talheres e os garçons, em frente ao qual acontecem apresentações de tango que tanto enchem de orgulho do habitantes locais. Tomamos água e espressos e voltamos para a praça, onde encontramos dois casais de amigos que estavam por lá. Aliás, o que tinha de brasileiro em Buenos Aires não estava escrito. Escutamos a língua portuguesa sendo falada muitas e muitas vezes. O câmbio favorável e o feriadão literalmente empurraram nossos compatriotas rumo ao sul, mais específicamente para a capital argentina! Depois de rodar por todas as barraquinhas e comprar uma plaquinha de ágata onde está escrito "Pipiroom" e uma dúzia de lápis de cera fabricados com galhos de árvore, seguimos em frente. Neste trajeto encontramos com mais um casal de colegas brasileiros acompanhados da filha pequena (haja Brasil!). Paramos no Mercado de San Telmo, onde também podem ser encontrados muitos artigos do artesanato argentino, frutas e legumes, pães diversos, carnes e embutidos e, para não fugir à regra, brinquedos e gadgets produzidos na China e arredores. Fizemos mais um pit stop, desta vez num bar dentro do mercado, onde Mary saboreou um "submarino", que é uma xícara de leite quente com uma barra de chocolate dentro. Eu degustei uma dose do conhaque Reserva Don Juan , que ajudou a aquecer e restituir o ânimo depois de tanto que já havíamos andado. Recuperadas as energias, já eram quase 4 da tarde e lembramos que não havíamos comido nada depois do café da manhã. resolvemos ir a uma pizzaria e empanaderia recomendada por um colega e chamada El Cuartito, que fica situada na Calle Talcahuano 937, a segunda rua paralela à 9 de Julho em direção ao interior de Bs As. Conforme as informações recebidas, lá se prepara uma das melhores empanadas de todo o país, além das pizzas que são a "prata da casa". Enquanto caminhamos para achar um táxi, na Calle La Defensa estavam filmando um comercial de uma operadora de telefonia celular. Uma verdadeira multidão, a parafernália toda de equipamentos de iluminação, imagens e som, tomaram a rua. Pegamos um táxi perto da Plaza de Mayo e, 10 minutos depois chegamos à pizzaria (a corrida: 12 pesos!). Estava lotada e observamos muitas famílias, casais e pessoas de mais idade comendo pizzas e conversando muito e alto, como de praxe. Pedimos duas empanadas para cada um de nós, sendo uma de carne e uma de jamón e queso, quentinhas e crocantes, acompanhadas de uma cerveja Quilmes Bock, servida na temperatura correta. Era tudo que queríamos naquele momento! A conta? AR$26 + a "propina" (acho o preço da cerveja na Argentina muito alto. Esta que bebemos custou 20 pesos, ou seja, 10 reais! É muito!) Dali voltamos a pé para o hotel, umas dez quadras de caminhada a mais. Mary foi dormir um pouco e eu aproveitei para ir à sauna, disponível para todos os hóspedes. Ela fica no último pavimento do prédio e estava desligada. Telefonei para a recepção e perguntei se poderia usar. Si, claro! respondeu Fernando, o recepcionista: em media hora estará caliente! Meia hora depois voltei lá em cima e a dita cuja continuava fria. Liguei de novo para a recepção e reclamei que ainda estava fria, desligada! E o Fernado me questionou: o Sr. não a ligou? Quer dizer, eu é que tinha que ligá-la! Então liguei-a na temperatura máxima, voltei para o quarto e aguardei mais meia hora. Subi de novo e ela estava começando a esquentar. Fiquei lá dentro mais uma meia hora e desisti: a temperatura tinha subido mas não o suficiente para uma sauna! Fiquei decepcionado... Lá pelas 7 da noite saímos para jantar. Fomos a uma casa de carnes, a Buenos Aires Grill, na Av. Santa Fé. Bom serviço, preços razoáveis, mas nada de especial, principalmente tratando-se da terra da parrilla. De entrada pedimos mozzarella à milanesa, depois bife de chorizo com ensalada verde, um para nós dois. A metade, que está aqui na foto, eu pedi e veio "jugosa", quer dizer, "sangrando", mal passada. A outra metade Mary pediu ao ponto mas teve que voltar para a grelha já que ficou meio crua para o gosto dela. Na segunda tentativa eles acertaram. Tomamos um Malbec Don Felipe, água, espressos e eu, para arrematar, um conhaque Reserva Don Juan. A conta: AR$195 + 10% de gorjeta. Depois desta lauta refeição, só nos restava voltar para o hotel e cair na cama. Então foi o que fizemos. Caminhamos até ele, não sem antes passar pela frente do Teatro Colón, que acabou de ser todo reformado mas que, naquela noite, estava fechado. Ficou a visita ao teatro para uma próxima...
Dica gastronômica: El Cuartito, Av. Talcahuano 937, Centro (pizzas e empanadas)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

1º dia: Vitória x Rio x Buenos Aires

Dormi mal prá caramba, pois fiquei "ligado" para ter certeza que os despertadores iriam funcionar direito, já que tínhamos de estar no aeroporto às 5 e meia da manhã: nosso vôo, da GOL, decolou às 6 e meia! Enfim, para viajar, vale qualquer sacrifício... Às 4:25 meu relógio de pulso tocou o alarme, às 4:26 foi a vez do celular e, às 4:27, o rádio-relógio ligou numa estação de rádio! Tudo funcionou perfeitamente! Que maravilha! Então, de pé, despertei Mary, minha esposa, e fui às tarefas: preparar o café da manhã, tomar banho, fazer a barba, me vestir, etc... E exatamente às 5:30 chegamos ao aeroporto de Vitória, felizes e dispostos, para mais esta experiência espetacular que é VIAJAR! Nossa filha nos levou lá e ficou aguardando, conosco, até a hora de embarcarmos. Antes, comprei um jornal local. Já a bordo atualizei-me com as notícias e, durante o vôo, degustamos (?) dois biscoitos recheados (!) e um copo de suco (!!), oferecidos pela companhia aérea... Chegamos no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, apanhamos nossas malas na esteira e Mary foi procurar um ônibus da GOL, que pelo que consta do site dela, está à disposição para transladar seus passageiros para o aeroporto Antônio Carlos Jobim, o famoso "Galeão", onde pegamos o vôo das Aerolíneas Argentinas direto para Buenos Aires. Acontece que este ônibus NÃO EXISTE! Pegamos, então, um ônibus da VIAÇÃO REAL, executivo, com ar condicionado, que faz exclusivamente este trajeto, pagamos R$5,00 cada um e, como era sábado e o trânsito no centro do Rio estava ótimo, em menos de vinte minutos chegamos ao aeroporto. Fizemos o check-in no balcão das Aerolíneas e fomos tomar nosso café da manhã: um capuccino e um pão de batata com queijo para Mary e um espresso duplo e um folhado de presunto e queijo para mim (R$25!). Fomos para a sala de embarque (tive que tirar até o cinto no raio-X, já que a fivela fez o alarme disparar...) e, pontualmente às 13:05, decolamos. Neste vôo estava um grupo carioca com uns 30 adolescentes, meninas e meninos, de um colégio internacional do Rio, indo para Mendoza, na Argentina. O coordenador da turma nos pareceu que "carrega a bandeja", se é que entendem o que eu quero dizer... A galera até que se comportou muito tem, tenho que mencionar. O "rango" a bordo foi um sanduíche de queijo e presunto e uma tortinha de chocolate com banana ("quebrou o galho"...). Eu bebi uma saborosa cerveja argentina Isenbeck e Mary optou pelo vinho branco. Às 16:05, hora local (que é igual a nossa aqui!), aterrissamos no Aeroparque Jorge Newbery, que é o aeroporto que existe quase no centro de Buenos Aires. Antigamente só era utilizado para vôos regionais mas, a partir de abril deste ano, as Aerolíneas só utilizam êle. O de Ezeiza, que fica a 40 km do centro, é usado pelas outras empresas aéreas internacionais. Usar o Aeroparque tem vantagens e desvantagens, como tudo na vida: uma grande vantagem é que está pertinho do centro, então o custo dos translados e táxis é bem menor, assim como o tempo para o deslocamento. Desvantagem: o free shop de Ezeiza é muito maior e mais sortido... O transfer estava nos aguardando, chovia e a temperatura era de uns 16 graus. Fomos para o hotel Reconquista Plaza, na rua de mesmo nome. Fica pertinho da Calle Florida e do shopping Galerias Pacífico, um dos melhores, mais caros e mais movimentados de Bs As. Nosso quarto é bem silencioso, amplo e confortável, dispondo de duas camas "queensize", e o banheiro é pequeno mas dá para o gasto: chuveiro dentro da banheira, pia e vaso sanitário (tem que sentar meio de ladinho...). Descemos para trocar dinheiro (o câmbio estava R$1=Pêso Argentino$1,72, numa casa de câmbio nas Galerias Pacífico), comprar água mineral e telefonamos para nossa filha, de um locutório, que são pequenas lojas (kioscos) onde se vende biscoitos, chocolate, refrigerantes, etc. e neles existem telefones públicos por um preço MUITO menor do que se paga nos hotéis (existem milhares de kioscos em toda a Argentina) . Voltamos ao hotel e já havia uma mensagem da Cecília, a pessoa local responsável por nossa estada na cidade. Telefonamos para ela, que nos deu as boas vindas e, como já era a quarta vez que íamos a Buenos Aires, não havia muito a explicar-nos. Ela colocou-se à disposição para qualquer coisa que precisássemos e pedi-lhe uma indicação de onde ela comia uma deliciosa "milanesa". Nos disse que era na sua própria casa, mas não nos convidou e citou o restaurante "El Establo", que fica perto do hotel, na Calle Paraguay esquina com San Martin, onde jantamos. É um restaurante simples e tradiconal, bem "porteño", quer dizer, com poucos turistas. Fomos muito bem atendidos e, para começar, vieram uns pãesinhos, manteiga e uns "grissinis", biscoitinhos compridos muito crocantes. Pedimos uma "Milanesa de lomo à Napolitana", um fino, macio e gigante bife do nosso corte bovino "patinho" empanados e fritos (um para nós dois...), acompanhado por batatas à espanhola (rodelas cortadas não muito finas e, também, fritas). Bebemos um Malbec Roble Postales del Fin del Mundo sensacional e, para encerrar, licor de limão (Limoncello) que, segundo o garçon que nos atendia, era fabricado na casa, com uma receita familiar que já atravessa gerações e que, inclusive, pode ser comprada ali em garrafas de 1 litro, seguido de café espresso. A conta: AR$124 + AR$15 de "propina", que é como se diz gorjeta em castelhano. Voltamos caminhando ao hotel, tomamos um bom banho e dormimos.
Dica gastronômica: El Establo, Av. Paraguay 489, Centro (cozinha tradicional porteña, carnes)

Os planos





A idéia de conhecer a Patagônia Argentina, a Terra do Fogo, é antiga. Dois anos depois que me formei em engenharia, em 1974, eu e um colega, também engenheiro, lemos uma reportagem sobre dois amigos que tinham ido de moto até lá. Então resolvemos que também iríamos, que seria uma aventura espetacular e coisa e tal! Mas não tínhamos moto! Nem por isso: eu vendi meu carro e comprei uma e ele comprou outra, duas Honda CB500 Four seminovas, fabricadas em 1974, suprasumo, na época. E, em janeiro de 1977, juntou-se a nós mais um colega com sua Honda CB360 e lá fomos os três... Conseguimos chegar atá a fronteira do Brasil com a Argentina mas, em função do regime militar que estava vigorando lá, não conseguimos permissão para entrar naquele país. E não esmorecemos: em 1978 tentamos, de novo e, na ocasião, conseguimos entrar na Argentina, porém alteramos nossos planos e fomos parar em Bariloche, de onde seguimos para as Cordilheiras dos Andes, cruzamos a fronteira para o Chile, subimos até Santiago e, de lá, atravessamos mais uma vez a Cordilheira e voltamos para casa. As duas viagens foram inesquecíveis: na segunda percorremos 15.000 km mas ainda eu não havia alcançado meu intento, ou seja, conhecer a Patagônia! E neste ano, quer dizer, trinta e dois anos depois daquelas aventuras, eu e minha esposa aproveitamos o feriado de Corpus Christi, que caiu numa quinta-feira e emendamos a semana toda viajando. Compramos, na agência de viagens Skyline Turismo, em Vitória, ES, um pacote incluindo as passagens aéreas, as diárias nos hotéis, os translados em Buenos Aires e Ushuaia e o seguro-viagem, que é imprescindível, a nosso ver. Partimos de Vitória para o Rio de Janeiro, no dia 29/5, sábado, e dali para Buenos Aires. Ficamos lá até a terça-feira seguinte, de onde decolamos para Ushuaia. Retornamos a Buenos Aires na sexta-feira, 3/6 e, no sábado pela manhã voamos de volta ao Brasil, aterrissando no Rio onde, mais no final da tarde, embarcamos com destino a Vitória, de volta para casa.